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| O Pêndulo Chinês e a Filosofia Escreve: José Rodrigues Em: Santos, maio de 2004
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| A ascensão de países asiáticos na ordem econômica mundial, particularmente da China e da Índia, polariza as atenções de analistas de diferentes setores. Sob o ponto de vista estritamente econômico, o fenômeno chinês permite antever que dentro de quatro décadas sua economia rivalizará com a norte-americana, cabendo à Asia como um todo a predominância econômica global em meados deste século.
De fato, as taxas de crescimento da China, ainda sob economia centralizada nas mãos do estado, impressionam. Na média, têm sido ao redor de 8,0% ao ano, contra, por exemplo, os 2,1%, em 2003, da área da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), uma organização que reúne 30 países melhor situados economicamente.
As previsões se mantêm, para a China, sempre em taxas superiores à media mundial, para um país com 1,3 bilhão de habitantes e renda per capita ainda abaixo de US$ 5 mil. A Índia, com 1 bilhão de habitantes e renda per capita equivalente à metade da chinesa, também surge como importante investidora em infra-estrutura e detentora de grande número de engenheiros e médicos especializados, ao lado de profissionais competentes na área da tecnologia da informação.
Qual o nervosismo que ronda esse fenômeno? Para os economistas, o pêndulo chinês, sozinho, é capaz de influenciar demandas, de tal ordem que provoca escassez de bens e alta de preços. Na verdade, esse já é um fato real no âmbito de algumas matérias-primas. Para os preservacionistas, há o temor de que um novo padrão de vida e de consumo dos chineses provoque o aumento das demandas à natureza, na contra-mão do desejado crescimento sustentado. Ocorre que, alguns poucos países, que representam apenas um sexto da população mundial, absorvem o equivalente a 75% da produção global. Os Estados Unidos, isoladamente, têm a fatia de 31% do PIB mundial, enquanto a China, 4% e a Índia, 2%.
Não há como negar a esses povos desnivelados, entre os quais está o Brasil, a intenção de melhoria do seu bem-estar. São povos de profundas carências na qualidade de vida. Põe-se, assim, uma questão que pode entrar no campo da ética. O excesso de uns significa a falta de outros. Enquanto uns morrem de problemas cardíacos derivados do estresse, do sedentarismo, do esbanjamento de gorduras e proteínas, outros, de fome. Essa descompensação reflete visões de mundo. No momento em que as satisfações pessoais se concentram no imediato, refletindo competições de status social, alguém paga por isso. Mais ainda, a exacerbação do egoísmo, quando manifesta por populações inteiras, é a causa profunda de grandes conflitos entre nações.
O Espiritismo tem uma posição conservacionista pioneira. Há quase 150 anos (em 1830 a população mundial era de um bilhão de habitantes, contra seis bilhões atuais), sem as megalópolis de hoje, com seus veículos infernais, um Espírito disse que “A Terra produziria sempre o necessário se o homem soubesse contentar-se. Se ela não supre todas as necessidades é porque o homem emprega no supérfluo o que se destina ao necessário” e lembrava que o árabe, no deserto, encontra sempre do que viver porque não cria necessidades fictícias.
Há o contra-ponto da tecnologia, que está maximizando a produção com custo menor. A busca da eficiência é bem-vinda e a Terra agradece, mas é inegável que a procura de resultados financeiros força a natureza a dar respostas além de sua capacidade de reposição. Se assim não fôra, não teríamos o efeito-estufa, por exemplo, e a assinatura do Protocolo de Kyoto, na tentativa de reduzir as emissões de gases para a atmosfera.
Em razão desse quadro, o fenômeno asiático, enfaticamente o chinês, é mais um alerta para o tipo de consumo que cada um ostenta; mais do que o tanto de dinheiro no bolso, ou do cartão magnético, dependente de uma visão filosófica da vida, em sua perspectiva de continuidade.
José Rodrigues, jornalista e economista, é um dos coordenadores do site Pense - Pensamento Social Espírita.
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