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Uma Vergonha para a Cultura Espírita
De: Eugenio Lara
Arquiteto e jornalista. Redator do jornal de Cultura Espírita Abertura, membro fundador do Centro de Pesquisa e Documentação Espírita (CPDoc) e um dos coordenadores do site PENSE.

eugeniolara@uol.com.br
Em: 15/07/2001


Em minha modesta opinião, esse livro do Espírito Humberto de Campos é uma vergonha para a cultura espírita e para o médium Chico Xavier. Cabe lembrar que após a interpolação que a FEB fez nessa obra, incluindo Roustaing como auxiliar do Espírito de Verdade, o responsável pelo “trabalho de fé”, o Chico se afastou da FEB e passou a publicar suas obras através de outras editoras.

Com os índices de pobreza e miséria que o País tinha na época, e ainda tem, falar que o Brasil é o coração do mundo e pátria do evangelho chega a ser uma embromação, uma euforia ingênua e contribui para a alienação política, fato este compreensível pois na época que foi editado estávamos em plena ditadura Vargas. Nessse sentido, se fosse lançado no período da ditadura militar não faria tanta diferença, pois essa divagação lembra os slogans do tipo: Brasil, ame-o ou deixe-o/Eu te amo meu Brasil/Brasil, pátria amada/Pra frente Brasil etc. Enquanto ouvíamos esse tipo de coisa em todos os meios de comunicação, milhares de pessoas eram torturadas, perseguidas, exiladas do país, assassinadas, tudo em nome da Segurança Nacional e do Bem Estar da Nação.

E o mais absurdo é lembrar que essa moxinifada (confusão, embrulhada), expressão usada pelo pensador espírita baiano Eusínio Lavigne para definir esse livro de Humberto de Campos, tornou-se bússola do movimento espírita brasileiro, formalmente aprovado pelas lideranças espíritas no chamado Pacto Áureo (1949), que foi um verdadeiro golpe de cúpula, um escuso acordo de lideranças para barrar propostas mais avançadas no campo da cultura espírita e da questão social.

Enfim, penso que não é com teses absurdas e ridículas desse tipo que vamos dar a nossa contribuição para a construção de um Brasil melhor, mais fraterno, solidário e humano.

Eugenio Lara
eugeniolara@uol.com.br


 
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